Wednesday, July 18, 2007

Hoje minha filha completa 13 anos


Hoje minha filha completa 13 anos.
Ela nasceu num dia muito frio, mais ou menos como hoje. Levou 18 horas pra nascer e quando finalmente nasceu, o médico veio me dizer que minha filha era ruiva! Como assim? Ruiva? Sim, ruiva linda, muito branquinha. E chorona. Meu Deus, como era chorona! Daquelas que pessoas que eu nunca tinha visto vinham me perguntar o que estava acontecendo.
E até hoje é manhosa, vive chamando: “mãe/pai, vem aqui ficar comigo?”
O tempo passou. Teve todos os aniversários comemorados com festinha, bolo e brigadeiro. Foi muito elogiada quando aprendeu a bater palmas, a engatinhar, a andar, a falar, a pedalar a bicicletinha, a beber com canudinho, a comer todos os legumes, a fazer bola de chiclete, a tomar banho sozinha, a pentear os cabelos, a andar de patins, de skate, nas apresentações do coral, do balé, da ginástica olímpica, nas competições de natação e capoeira, quando começou a sair com as amigas e ligava pra avisar que ia chegar mais tarde, nas boas notas da escola. Enfim, sempre, a cada minuto soube que é muito amada pelos pais.
Chorou de emoção quando o irmão nasceu e agora já briga com ele. Como qualquer pessoa, tem milhões de defeitos, mas muitos milhões a mais de qualidades. É linda, inteligente, educada. É minha filha e pra mim, vai ser sempre a menina mais especial do mundo.
Mas cresceu, deixou de ser meu bebê e minha menininha e está caminhando pra independência, como eu sempre quis, mas dá uma saudade, uma sensação de perda: cadê a bebéia que estava aqui? Aquela não existe mais. No lugar dela tem uma menina cheia de opinião, que gosta de rock, que usa roupas pretas, que adora a cultura japonesa, que é louca por animes e mangas, que adora McDonald’s. Enfim, que é um indivíduo, que tem gostos próprios e a maioria ela não herdou de mim. Porque ela é a Luíza e eu sou a Claudia
Bom, é isso – muitos e muitos anos de vida feliz pra ela e que eu possa viver muuuuito pra acompanhar tudo isso, lado a lado.

O texto daí debaixo me faz chorar, mas eu precisava publicá-lo.


“Não é a minha idade que determina que envelheço; é a idade de meus filhos. Costumo absolver minha erosão, dar um desconto às rugas e vincos, sair com a roupa malpassada do corpo, não me ameaçar com comparações do que fui e do que sou. Mas o que fazer quando sua filha completa 13 anos? Treze anos? Calma, não consegui absorver. Quando ela tinha 12, não parecia tão longe, ainda era possível brincar de gangorra e enganá-la com desculpas. Não mais a interessa uma piscina de 1000 litros. Muito menos poderei inventar penteados ou indicar roupas. Ela gosta de tudo o que não gosto. Sou o pai que ela precisa enfrentar, não mais o protetor que a colocou na bicicleta e retirou as rodinhas sem que percebesse. Resta-me esperar que ela tenha saudades de minha paternidade. Um dia, quem sabe, ver que algo ficou dos ciscos que soprei de seus olhos e descobrir que os ciscos são os meus olhos dentro dos seus. Hoje Mariana completa 13 anos. Treze. Desculpa a repetição, estou me habituando. É um choque. Antes brigava pela festa de aniversário, por bolo, brigadeiro, branquinho, amigos ao redor. Não a agrada mais o estardalhaço de crescer. Prefere que as velas queimem sozinhas, longe da enseada da boca. Aos treze, ela não quer comemorar, ela se conforma. De uma forma e de outra, terminou sua infância. Da adolescência vai para a vida adulta, sem volta. Não vou mais pegá-la no colo. Terei que tomar cuidado em não tocar em seus seios na hora de abraçar. Ela regula com minha altura. Pela primeira vez, não a olharei de cima. Ela me repreenderá mais do que concordará comigo. Sou obrigado a bater na porta para entrar. Nosso amor está cheio de cuidados e pudores. É um amor mais recôndito. Ela será grosseira ao telefone e nem irá reparar (fui igual com os meus pais). Estarei sempre a atrapalhando. Ao aguardar a ligação de um guri, telefonarei na hora. Fará o possível para que desapareça rápido. Monossilábica, pronunciará bala ou palha diante de minhas sugestões. Usará fones nos ouvidos e vai recorrer à mímica para expressar sua opinião. Dirá que não a entendo mais vezes do que o necessário. E não a entenderei mesmo. Chegou o momento de minha insônia, permanecer acordado mexendo a luz do abajur e da geladeira, até que ela volte das festas. Pais são sonâmbulos quando os filhos nascem e quando os filhos partem ao mundo. Terei que ser independente e justo, mesmo sofrendo de medo. Não receberei mais cartões e desenhos com a promessa de amizade eterna. É recomendável guardar um estoque de sua infância para visitar e não se desesperar com a falta de notícias. Deixarei de ser seu ídolo. Serei mais humano e falível. Ela só me elogiará quando não estiver junto, para não me influenciar. Minha filha tem treze anos. Ontem trocava suas fraldas, andava com um cueiro como manta, levava-a de carrinho para praça, enxergava seu riso trocando os dentes, serenava sua febre, mentia para viver mais de uma vez sua verdade. Era ontem, ela brincou de esconde-esconde e está debaixo da cama, com alguns anos que não percebi passar em seu rosto. O tempo não voa, a voz voa. Minha filha agora me põe a envelhecer.”


Fabrício Carpinejar

14 Comments:

At 6:51 AM , Anonymous Jana said...

Lindo demais .. li e me coloquei no seu lugar !!!! Parabéns por ser essa mulher tão especial e ter criado uma menina tão especial !!! Parabéns, de coração !!
Bj

 
At 6:52 AM , Anonymous Nalu said...

Que lindo Claudia! E sua filha é linda, linda também...Semre achei que os ruivos são as pessoas mais bonitas. Essa sensação de ver os filhos crescerem é maravilhosa. E assustadora ao mesmo tempo. Mas não tem preço ver a coisa bonita que eles se tornam né? Beijos, parabéns pra você e pra ela que nasceram juntas há treze anos.

 
At 6:54 AM , Anonymous Daniela said...

Lindo, Claudia! E eu tenho a impressão de que com a adolescência, a maior parte do trabalho de ser mãe vai começar agora pra vc. Que ela continue sempre especial, linda e carinhosa. Parabéns pras duas!

 
At 6:54 AM , Anonymous  said...

Claudia: tô com lágrimas nos olhos também! Bom que ainda tem o Pedro para vc curtir os dois lados, né? Um bebê e uma menina linda que está virando mulher! Parabéns para você e para a Luiza! Bjs

 
At 6:55 AM , Anonymous rose said...

Cláudia, lindo o texto, linda sua homenagem pra ela. Linda ela... aliás, parabéns de novo pra ela, que ela tenha muitas felicidades e continue te dando muita alegria e orgulho (e rugas, rsr).
Beijos

 
At 6:59 AM , Blogger Tatiana said...

lindo lindo lindo lindo!!!!
parabéns pela sua mulherzinha, e que ela cresça sempre forte e esperta e linda :)

 
At 12:35 PM , Anonymous Mônica said...

Nem preciso dizer que chorei, me enxergando daqui alguns anos....
Deixa eu sair desse computador e curtir meu bebê enquanto ela me quer.
Beijos.

 
At 2:35 PM , Blogger Dinha said...

Parabéns pra Luisa!
Já conhecia este texto do Carpinejar e tem tudo a ver.
Muita saúde pra tua filha, que certamente, com o exemplo que tem, se tornará uma mulher muito especial e feliz. Assim seja!

 
At 2:46 PM , Blogger Alessandra said...

Claudia,

Parabens pra Luiza ! Muita saude pra essa ruivinha cheia de personalidade !
Dá um aperto no peito vendo os filhos crescerem, mas tambem dá um orgulho enorme saber que o que semeamos floresceu !
Beijos

 
At 5:11 PM , Anonymous Chris, mãe da Ciça said...

Clau, lindo texto!
Parabéns pelo aniversário da Luiza! Que a vida dela continue a ser de alegrias, conquistas, vitórias e, acima de tudo, muito amor!

Beijos

 
At 4:46 AM , Blogger Renata said...

Muito emocionante o seu post Claudia, feliz aniversário p/ Luiza e parabéns p/ vc, por ter filhos tão lindos e muito especiais com certeza.
Beijos

 
At 2:37 PM , Anonymous Bianca said...

Clau, liiiiindo o texto e liinda a filhota!!! parabéns por ter criado ela tão bem, tão independente... um beijão!!!

 
At 12:29 PM , Anonymous Leticia said...

Claro que chorei com o texto, né: Sacanagem...

 
At 12:42 PM , Anonymous Flávia said...

Cláudia, primeiramente quero desejar feliz aniversário pra sua filhota; Parabpens a ela e muitas felicidades!
E o texto é simplesmente sensacional, maravilhoso.
Beijos!

 

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