Wednesday, April 16, 2008

Eu ganhei uma enteada

Desde que começamos a namorar, eu sabia que o Pedro tinha uma filha e que por uma série de motivos, ela tinha sido registrada por outra pessoa e esse era o pai oficialmente. Na época, marido era jovem e foi uma situação cômoda. É verdade que ele se ofereceu pra registrar e bancar financeiramente a menina, mas a mãe não aceitou, queria que ele se casasse com ela, o que ele não estava a fim.
Isso foi há 18 anos, nesses anos todos, marido viu a menina apenas duas vezes e teve contato com a mãe em mais outras duas ocasiões quando ela lhe pediu dinheiro pra roupas pra menina.
Bom, há duas semanas, a mãe procurou o Pedro dizendo que a menina já sabia de tudo – a avó paterna, que nunca a aceitou como neta, contou tudo – e que queria conhecê-lo. No dia seguinte, mãe e filha foram ao escritório do Pedro e ele me confessou que ficou nervoso, inseguro, mas que ao final deu tudo certo. Quer dizer, mais ou menos, né, porque ele descobriu que nesse intervalo de três dias entre saber que ela tinha um outro pai e conhecê-lo, a mãe tinha pintado uma caveira a respeito dele. Mas tudo bem, eu acho até compreensível que a mãe se sinta insegura, que tenha medo de perder a filha e tals, mas sinceramente, não precisava disso.
Bom, a convivência entre o Pedro e a filha está sendo ótima, ela está trabalhando no escritório, ele já está providenciando um cursinho pra que ela se prepare pro vestibular e ela tem almoçado todos os dias em casa, com ele e a Luíza.
Aliás, a Lu merece um capítulo à parte. É minha filha e eu tenho muito orgulho dela, do comportamento dela depois de saber da irmã, da recepção e tudo o mais. Sinceramente, é nessas horas que eu percebo que estou no caminho certo quanto à educação da minha filha. Não teve crise nenhuma, tá tudo bem. Ela inclusive ficou muito feliz, pois disse que sempre quis ter uma irmã mais velha, mas achava isso impossível e de certa forma, era, né? E soltou uma pérola: “fui filha única durante 12 anos, filha mais velha durante um ano e meio e há alguns dias ou a irmã do meio”. Que bom que ela mantém o humor. É um alívio saber que não teremos problemas em relação a isso.
Eu já conheci a menina, estivemos juntas por apenas 15 minutos, mas deu pra ver que ela é educada, doce, carinhosa e bem centrada, ao que parece, não dará trabalho mesmo. E não sei se isso tem a ver com já ser mãe, mas apesar de ainda não termos nenhuma convivência, já sinto muito carinho por ela.
A mãe continua tendo atitudes estranhas, egoístas, mas estamos tentando relevar. O mais engraçado é que ela disse que não quer que a filha tenha contato comigo. Por quê? Assim, eu me sinto a madrasta da Branca de neve – linda e má!! rs
E eu que sempre achei as palavras madrasta e enteada horrorosas, estou tendo de usá-las, não dá pra mudar, não.
Ah, marido está chateado com algumas atitudes da mãe, mas feliz da vida por ter resolvido essa pendência na vida dele. Até diz brincando que sua famosa dor nas costas deverá ser aliviada agora.
Resumindo, estamos felizes e a menina já é super bem vinda à nossa família.

2 Comments:

At 11:37 AM , Blogger Isabel Cristina said...

Oi Cláudia, estes momentos da vida é que sabemos que tipo de pessoas nós somos. Você se mostrou madura e tranquila com esta nova situação. Até sua filha mostrou uma maturidade fora do comum para a idade dela. Muito diferente da mãe de sua enteada, que demonstra na sua atitude rancor e imauridade. Eu tenho 02 enteadas! Meu marido tem 02 filhas do primeiro casamento, já são adolescentes. Mas não temos muito contato, meu marido tem muitas restrições em relação à mãe delas, foi um casamento muito conturbado. Elas já passaram alguns fins de semana lá em casa, e foi tudo tranquilo. Elas gostam muito da irmãzinha. Mas ainda é uma relação distante, e eu até prefiro assim, para não criar muitos conflitos. Beijos

 
At 4:29 AM , Anonymous Cacá said...

Clau, eu adorei a história e principalmente o desenrolar de tudo. Parabéns por tudo: por se manter ao lado do seu marido, por ter uma filha maravilhosa que recebeu a "meia-irmã" da melhor forma possível, por ter a maturidade para entender tudo e estar com o coração aberto para receber a enteada.
Um super beijo com carinho.

 

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